15 de mai. de 2011

Um samba pra não tocar

Teu perfume doce não mais está,
não adianta nem eu procurar
O xadrez da camisa amarrotada,
confundi com a coberta ao acordar

O café: eu servi.
O incenso: acendi.
Mas, de repente, o tudo não mudou nada!

É difícil mesmo entender
que estou de mãos amarradas,
quando levo a vida sempre a ver
que não custa nada a tenteada.

Vou passar minha noite a escrever
esse samba que nunca irão tocar.
E, então só, vou perceber
que, realmente, o tudo não mudou nada!

É incrível o que faz uma canção,
deixa doce e alenta o coração,
dá o tom que esperávamos em vão.
Esperançosa, eu sigo a paixão.

14 de mai. de 2011

Eu acho que o perfeito entende nada.

23 de fev. de 2011

Só pra constar

E a quem possa interessar...

hoje choveu, mais cedo.
Hoje, senti medo.

Ontem sabia jogar,
Hoje, maré de azar.

Amanhã, substantivo próprio.
Hoje, neologismos afloram.

Ontem, correntes por minhas mãos atadas.
Hoje, libertas mãos para nada.

Ontem, picolés de goiaba.
Hoje, refrigerador quebrado.


Se amanhã, sorvete de limão.
Depois da manhã, mais um arranhão.

Frio laranja, temperatura azeda.
Que se vá este verão, antes que a noite esqueça.

... ou antes mesmo... anoiteça.

22 de fev. de 2011

Dias de doçura,
dias de tortura...
lenta, segura e gradual...

E a saudade é fato empiríco
comprovado na idiotice de cada dia.
E a impossibilidade do não
torna o todo mais descontente.

Vontade absurda...
desejo profano, utopia.
Faz ora perder o sono,
ora perder o dia...

Insegura forma;
Abstrato modo.

Decifra-me,
eu imploro.
Ou me devoro,
na mais rotineira agonia.

Caso caia no acaso
de encontrar conforto,
é queda em falso.
Sonho.

E no final, nada é diferente.
O prazer do prazer não se faz presente.
A melhor forma é ainda desconhecida.

21 de fev. de 2011

Citando Caio F.

"-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também, mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu."